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Mas e quem sou eu?

Já contei que eu acredito que o primeiro passo para ficarmos mais felizes com o guarda-roupa que temos (ou construir o que queremos) é entender quem a gente é. E isso não é lá tão fácil, né? No entanto, para o finalidade que temos aqui, podemos deixar "de lado" questionamentos mais profundos e filosóficos e focar em questões mais práticas. Coloquei entre as aspas porque acho que profundidade é importante e, por isso, sempre vale dar atenção para esses questionamentos profundos, mas sem pirar, sem deixar que te atrapalhe ou até mesmo paralise.

No processo de consultoria, um dos primeiros passos é a aplicação de um questionário e de atividades com imagens. Essas ferramentas são MUITO importantes para que a consultora consiga entender quem a cliente é, quais são as insatisfações e os desejos dela, por exemplo, para que assim ela monte um plano de ação, que será uma espécie de ~guia de estilo~ da cliente.

O mais legal? Você não precisa passar (e pagar $$$) por uma consultoria para ter acesso a um questionário desses. As meninas do Oficina de Estilo, por exemplo, propõem questionamentos interessantes (que geralmente aparecem nos questionários das consultoras) no livro Vista Quem Você É, já recomendado aqui várias vezes. Outra opção é seguir as dicas que vou dar aqui nesse post, feito especialmente para que você comece essa jornada (life-changing) de otimização do guarda-roupa e estilo pessoal!

"Style dos not come to you until you pay attention to it"

"Finding my own style was about accepting and liking myself"

Um aspecto que temos que manjar pra lá de bem se quisermos lidar melhor com o nosso guarda-roupa é a nossa personalidade. Afinal, nossa personalidade é base do nosso estilo, se o entendermos, em parte, como as nossas escolhas, as nossas atrações: os filmes que queremos ver, as celebridades que babamos os estilos, as risadas que contagiam a gente. Por isso, questione-se: "O que me atraí?". Se parece difícil, comece pelo contrário: "O que me repele?". Mas estilo, como podemos imaginar, não é só isso. Estilo é a gente em forma de símbolos, que aparecem tanto no nosso visual/aparência quanto nas nossas atitudes. Para trazer isso ao mundo da moda, vale responde estas perguntas:

- O que eu já gosto em como me visto?
- O que gostaria de melhorar?
- O que procuro sentir ao me vestir?
- E o que sinto ao me vestir atualmente?
- Como gostaria que as pessoas me percebessem pelo meu visual?
- Quem são meus ícones de estilo? Por que? O que me atraí neles?
- Qual tipo de roupa jamais me imagino usando?
- Quais peças do meu guarda-roupa mais uso? Por que?
- Quais menos uso? Por que?

Outro aspecto é perceber como realmente é o nosso estilo de vida. Aqui nós precisamos observar detalhadamente nossa rotina, miga. Quantas horas por dia você passa trabalhando? Onde trabalha? Quantas horas de lazer? Para onde gosta de sair? Balada, barzinho ou parques? Quantas vezes por semana? Quanto tempo você passa em casa? Entender como você organiza a rotina é crucial para a organização do guarda-roupa. A idéia é que quanto mais tempo você gasta em uma atividade específica, mais valor ela terá no armário. Ou seja: se você passa mais tempo por semana no trabalho do que na balada, é mais FUNCIONAL ter mais roupas de trabalho do que roupa com brilho para curtir a night, sacou?

O maluco é que ao percebermos como nossa rotina está dividida podemos verificar se estamos investindo e gastando energia em atividades que são importantes para gente. E isso pode transformar bastante nossa vida, né? Trazer mais felicidade <3

"If you got personal style, you can change your look from day to day and always look like yourself"


Antes de responder essas perguntas, eu acho interessante seguir uma proposta do livro The Curated Closet: durante duas semanas, tire fotos das roupas que você usar (até mesmo das que você usar para ficar em casa!). Após esse período, faça uma análise das fotos e responda não só as questões que já coloquei aqui, como também estas abaixo:

- Qual look usado nessas duas semanas é o seu favorito? Como você se sentiu ao usá-lo? E qual o menos favorito? Por que?
- Em uma escala de um 1-10, o quão feliz você ficou com as roupas que vestiu?
- Que cores e silhuetas/caimentos você mais usou?
- Você percebeu alguma espécie de "fórmula" para montar as combinações de roupas?


Reconhecendo o nosso estilo, ficamos mais empoderadas. Reconhecemos quem somos, quais coisas são importantes para gente e começamos a fazer decisões mais inteligentes – não só em relação ao guarda-roupa, mas à vida em geral, ao trabalho, às relações. Em um mundo cheio de must-haves, isso é dar poder às nossas escolhas, sim. Afinal, recebemos muitos estímulos durante o dia e entender bem quem somos é o antídoto perfeito para não ir na maré de t-o-d-o-s esses estímulos, apenas aos que combinam com a gente. Dessa forma, o estilo é mais sobre se encontrar, do que ser ROTULADA. Você não precisa se encaixar no boho, no rocker, no blogueira, você "só" precisa ser você.

Para finalizar, trago um trecho incrível do Vista Quem Você É: "Individualizar o estilo visual é nadar contra a maré de que todo mundo precisa se vestir igual para se encaixar".

Se encontre e seja feliz, mana <3


Afinal, o que é estilo próprio? Isso existe?


Estilo próprio: taí uma expressão que não é estranha, né? Ao mesmo tempo, muitas pessoas podem dizer que “nunca viram, nem comeram, só ouviram falar”, como diria nosso amigo Zeca (péssima trocadilho, desculpa).

A gente costuma escutar vez ou outra que moda não deveria ser entendida como uma futilidade, afinal, ela é uma forma de expressão.  A gente se comunica através das roupas. Mas, calma. Vamos parar e refletir, você realmente consegue captar as pessoas pelo que elas vestem? Você olha para alguém que seja no cotidiano e entende um pouquinho mais dela pelo visual?

Eu acredito que, sim, a moda é um meio de comunicação – e um meio impactante e poderoso. Mas eu não acho que todo mundo fale por meio dela. Por alguns motivos que já discuti aqui no blog:  nós fazemos compras em busca de um prazer imediato; achamos que mais é mais (mais roupa, mais opção, mais chance de sermos bem sucedidas nessa busca eterna para sermos a “nossa melhor versão”); nós não relacionamos as roupas que compramos com quem somos e com nossas verdadeiras vontades e desejos. Às vezes compramos uma roupa porque “o preço tá valendo”. Só que no fim esse “achado” vai para o nosso guarda-roupa e fica parado, assim como tantas outras roupas.

O resultado? Nós ficamos com um guarda-roupa abarrotado de “possibilidades” que mais atrapalham que ajudam. De tanta coisa, a gente não consegue mais ver. E acabamos optando sempre pelas mesmas peças. Quem nunca passou por essa situação? Isso, no entanto, é ótimo para a indústria que alcançou o objetivo dela: vender, vender, vender. Afinal, esse é o objetivo de qualquer indústria, né? A indústria da moda é só mais uma de tantas, vale lembrar. 

fashion, i am not your bitch. sorry, not sorry.

Nesse cenário, a moda como expressão da nossa personalidade acaba não existindo. Essa frase e suas variantes (moda como identidade, por exemplo) ficam vazias, sem significando. E em alguns casos é até mesmo usada para atrair ainda mais o consumidor. O slogan "moda é expressão" pode até mesmo justificar os gastos que você faz com roupas, sapatos e acessórios: “Ora, qual é o problema de gastar com isso? Moda não é fútil, moda é expressão”. Ou em um exemplo mais simples e cotidiano: quem nunca comprou uma revista ou olhou um vídeo no Youtube buscando dicas para encontrar o próprio estilo? Ao fazer isso, esquecemos de algo importante: estilo é muito mais sobre o interno que o externo.

Quem não quer usar a moda para mostrar quem é, certo? É mais autêntico! Só que nesse cenário que vivemos, como podemos fazer isso? Isso sempre foi algo que me perguntei bastante e que sempre procurei entender e confesso que ainda estou no processo de compreensão. Muitas perguntas rodavam pela minha cabeça: “se moda é liberdade e expressão, por que a gente se esforça para se vestir de uma determina maneira?”; “existe mesmo uma mensagem no que vestimos?”.


Confesso que pensei que não acharia uma solução para esses enigmas. Moda era alienação e pronto. Eu teria que aceitar e viver com isso, já que eu continuava gostando tanto de moda mesmo assim.

imagem: google/keep it social

Mas então veio o curso de consultoria e o livro Vista Quem Você É, das meninas do Oficina de Estilo. Entendi que as roupas poderiam ser expressão se eu parasse de tentar entender como a moda poderia ser comunicação e focasse em outra questão/ponto de vista: como EU poderia me comunicar pela moda? E esse é o processo que vivo agora.

Enfatizo ontem, hoje e sempre: para a gente tentar entender melhor o mundo, vale olharmos para nós mesmas!

Então, sim, moda pode ser comunicação pessoal, mas para isso eu preciso me entender antes. Afinal,  para quê vou ficar obcecada no ato de vestir/utilizar as roupas, se eu não sei nem como eu quero as utilizar? Aqui, vale também fazer as perguntinhas que citei na publicação anterior.

E estilo próprio existe, sim! Porque estilo não é só roupa. É também a decoração da nossa casa, os filmes que assistimos, os quadros que amamos, as imagens que impactam a gente e tantas outras coisas. Em um sentindo mais profundo, estilo são as escolhas que fazemos, como falou a Cris Zanetti em entrevista à Marie Claire.

Então, você entende direito por que você faz as escolhas que faz? :p
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